Confira o calendário de obras do Léia Mulheres SIM! para 2025.1
Os clubes de leitura são oportunidades de encontro e discussão de diferentes temáticas a partir da leitura de obras literárias ou cinematográficas.
O clube de leituras Léia Mulheres SIM! convida à todos para participarem dos encontros do clube.
Os encontros acontecerão nas terceiras ou quartas terças-feiras do mês, com duração aproximada de 1h30 e participação gratuita. Os encontros são presenciais, nas dependências do CED, nas datas previstas no cronograma, às 16h. Os participantes receberão certificado.
Confira o calendário da segunda temporada do clube, com as datas e obras a serem discutidas no ano de 2025:
Março, 26/03 | Subversivas: a Arte Sutil de Nunca Fazer o que Esperam de Nós, por Gisèle Szczyglak
Sinopse: Subversivas é uma obra filosófico-pragmática destinada às mulheres para transformar a sociedade e vivenciar na prática a luta pelos seus direitos. Gisèle Szczyglak, Ph.D. em Filosofia Política, com pós-doutorado em Sociologia Política e Ética Aplicada, mostra que a civilização foi confiscada das mulheres e, como consequência, a percepção feminina sobre o mundo, assim como o papel de si mesmas são distorcidos. Para a autora, o caminho para virar este jogo é a subversão. Gisèle analisa como ao compreender as regras impostas pela sociedade e a cultura vigentes, as mulheres podem redirecioná-las para além da reivindicação para assim conquistar a plena igualdade de direitos. A autora ainda afirma que, depois de ancoradas na subversão, as mulheres serão capazes, junto com os homens, de fazer com que o feminismo de fato aconteça como um novo humanismo.
Abril, 16/04 | A Substância, direção de Coralie Fargeat
Sinopse: Elisabeth Sparkle, renomada por um programa de aeróbica, enfrenta um golpe devastador quando seu chefe a demite. Em meio ao seu desespero, um laboratório lhe oferece uma substância que promete transformá-la em uma versão aprimorada.
Maio, 14/05 | Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade, por bell hooks
Sinopse: “Ensinando a transgredir” (1994) é um projeto inspirado na pedagogia crítica de Paulo Freire, assume bell hooks desde as primeiras páginas deste livro. A autora estabelece, em seu diálogo combativo com o pensador brasileiro, as bases para a educação como projeto ético e político, como processo de superação das desigualdades. Para isso, a formação precisa ir além da assimilação de conteúdos, tem de se expor às contradições e às diferenças, vencer as relações de poder para reconhecer cada um como sujeito. “Ensinando a transgredir” não é uma obra conceitual, mas uma autobiografia intelectual. Negra, a autora nasceu e cresceu no Sul dos EUA e recebeu a educação fundamental em escolas segregadas. Nelas, aprendeu desde cedo que a devoção ao estudo, à vida do intelecto, era um ato contra-hegemônico, um modo de resistir à dominação branca e ao sexismo. Feminista, ela demonstra que a demanda por igualdade é dever de todos.
Junho, 12/06 | Fim, por Fernanda Torres
Sinopse: Cinco amigos cariocas rememoram as passagens marcantes de suas vidas: festas, casamentos, separações, manias, inibições, arrependimentos.
Álvaro vive sozinho, passa o tempo de médico em médico e não suporta a ex-mulher. Sílvio é um junkie que não larga os excessos de droga e sexo nem na velhice. Ribeiro é um rato de praia atlético que ganhou sobrevida sexual com o Viagra. Neto é o careta da turma, marido fiel até os últimos dias. E Ciro, o Don Juan invejado por todos – mas o primeiro a morrer, abatido por um câncer.
São figuras muito diferentes, mas que partilham não apenas o fato de estar no extremo da vida, como também a limitação de horizontes. Sucesso na carreira, realização pessoal e serenidade estão fora de questão – ninguém parece ser capaz de colher, no fim das contas, mais do que um inventário de frustrações.
Ao redor deles pairam mulheres neuróticas, amargas, sedutoras, desencanadas, descartadas, conformadas. Paira também um padre em crise com a própria vocação e um séquito de tipos cariocas frutos da arguta capacidade de observação da autora.
Há graça, sexo, sol e praia nas páginas de Fim. Mas elas também são cheias de resignação e cobertas por uma tinta de melancolia.
Humor sem superficialidade, lirismo sem cafonice, complexidade sem afetação, densidade sem chatice: de que mais precisa um romance para dizer a que veio?
Julho, 10/07 | A natureza da mordida, por Carla Madeira
Sinopse: “O que você não tem mais que te entristece tanto?” É com esta pergunta que Biá, uma psicanalista aposentada, apaixonada por literatura, aborda a jovem jornalista Olívia pela primeira vez ao encontrá-la sentada à mesa de um sebo improvisado. A provocação inesperada, vinda de uma estranha, capaz de ouvir “como quem abraça”, desencadeia uma sucessão de encontros, marcados pela intimidade crescente e que aos poucos revelam as histórias das duas mulheres. “Nossa amizade começou assim, enquanto nos afogávamos”, relata Olívia.
Com alternância entre as vozes, a força narrativa objetiva, descritiva e linear de Olívia contrapõe-se às anotações esparsas de Biá, cujos fragmentos de uma memória já falha e pouco confiável conduzem a um ponto de virada na trama que irá revelar ao leitor eventos que marcaram o passado de cada uma, evidenciando o paralelo entre as diferentes formas de abandono sofridas (e perpetradas) pelas duas amigas. Ao conhecer Olívia, o leitor é preparado para compreender Biá e, finalmente, refletir sobre a pergunta: o que faríamos em seu lugar?
Como nos outros romances da autora, as personagens parecem saltar do papel para colocar o leitor diante de questões universais, entre elas a incondicionalidade do amor, a força do desejo, a culpa e o esquecimento, a memória e sua dinâmica inescrutável com o perdão. É também um livro sobre amizade.
Com uma narrativa singular, potente e envolvente, Carla Madeira se reafirma em A natureza da mordida como um dos maiores nomes da literatura nacional contemporânea.